3 de abr de 2013

June 15



Capítulo 27.


(COLOCAR PARA CARREGAR: http://www.youtube.com/watch?v=gJN6yR02hLU) 

- Eu sei quem você é. – ela disse colocando sua mão sobre uma das minhas, que estava sobre a mesa e eu acho que sentiu que eu estava congelando. Olhei-a desesperada, queria achar um buraco para me esconder. – Não precisa ficar assim. – sorriu cordialmente e eu baixei o olhar.
 
- É que... – balancei a cabeça negativamente e levei as mãos ao rosto. Tirei-as e coloquei em cima da mesa novamente, respirando fundo. – Eu não sei o que dizer.
 
- Não precisa dizer nada. – sorriu fraco. – Eu só vim aqui para te dizer que além de saber quem você é, eu sei a diferença que você fez na vida do meu filho. – falou calmamente e eu senti meu coração saltar a cada palavra. Como assim? Eu fiz diferença?
 
- É, acho que eu sei a diferença que fiz. Estraguei a reputação dele. – falei envergonhada, mas ela balançou a cabeça negativamente e sorriu.
 
- Eu estive com o
 Thur em Londres. – quando a ouvi dizer seu nome, senti as pernas desmontarem. 
- Como ele está? – perguntei quase que antes de ela terminar a frase.
 
- Bem. – sorriu fraco.
 
- E, meu Deus, como a senhora lembrou de mim?
 
- Acompanhei todos os tablóides com as fotos de vocês dois no Brasil. Quando vim à agência marcar aquela passagem para Londres, sabia que lembrava de você de algum lugar. Meu filho me mostrou algumas fotos em seu computador e eu te vi. – eu não podia acreditar em cada palavra do que ouvia, sentia cada vez mais vergonha. Ela devia me achar uma aproveitadora.
 
- Me desculpe, eu não quis mesmo trazer todo aquele alvoroço para a vida do
 Thur. Eu... 
- Não, querida. – ela me interrompeu com um meio sorriso e a olhei confusa. – Eu acho que ele não vê por esse lado.
 
- Como assim?
 
- Nunca vi o
 Arthur daquela forma quando falei que tinha estado com você. Encheu-me de perguntas. – falou simplesmente e eu senti as lágrimas se acumularem em meus olhos. Não conseguia dizer nada. – Toma. – me entregou um pedaço de papel e levantou. – Ele fez pra você. 
- O que é isso? – indaguei lendo a frase e não entendendo.
 
- Bom, não foi bem ele quem me contou, seus amigos o entregaram. É uma canção. – se as minhas pernas pareciam desmontar, agora eu nem as sentia mais. Então ele fez uma canção para mim?
 
- Nem sei o que dizer, dona Kathy. – confessei, levantando e colocando o papel no bolso. – Obrigada. – mordi o lábio inferior e ela passou a mão levemente sobre o meu ombro.
 
- Não tem o que agradecer. Senti que era preciso deixá-la ciente. – se virou e eu a segui até a porta. Abri-a e a olhei sair, mas ela se virou novamente antes de deixar o local. – Ele sente a sua falta. – revelou e eu achei que meu coração estava prestes a sair pela boca. Senti uma lágrima teimosa escorrer e a limpei instantaneamente. – E você a dele, pelo jeito. – deu aquele mesmo sorriso maroto que seu filho tem, me deixando em transe. Sorri cordialmente para ela e agradeci mais uma vez, desejando-lhe um bom dia.
 

Aquele não foi um dia muito movimentado na agência. E isso parecia me matar, porque não conseguia parar de pensar no que havia acabado de acontecer. Depois de dois meses que a conheci, ali mesmo, a mãe de
 Thur voltou apenas para me dizer que sabia quem eu era e para dar informações sobre o filho. Meu cérebro não parecia processar nada daquilo. Eu tinha medo de estar tendo alucinações. Nesses dois últimos meses, haviam acontecido muitas coisas em minha vida, a maioria ruim. Saber que, aparentemente, Thur sentia a minha falta parecia ter valido os cinco meses que estava em Bolton. Principalmente os fatídicos dois últimos. Saí do trabalho e antes passei na cafeteria, comprei algumas roscas e fui para casa. Carol assistia a seu talk show favorito e disse que tinha sobras do almoço na geladeira. Agradeci e disse que apenas comeria aquelas besteiras que havia comprado. Fui direto para o fim do corredor, onde ficava o computador. Pensei duas vezes antes de ligá-lo, não sabia se estava preparada para ver aquilo. Coloquei o copo de cappuccino e as rosquinhas na mesa e liguei o computador. Sentia o coração pular no peito ao ver a página inicial. Abri o navegador e entrei naquele famoso site de vídeos. Tirei o papel que Kathy havia me dado do bolso e olhei o nome da canção. “She Left Me” (Ela me deixou). Um título que pareceu estraçalhar todos os meus órgãos. Digitei tremendo e logo achei um vídeo de um show deles que pelo jeito havia passado na TV há pouco tempo. É, eu continuava do mesmo jeito, sem me ligar muito no que se passava na televisão... Carol devia saber, mas nem me avisou, ela evitava falar de Thur, McFly ou qualquer coisa de Londres. Enquanto o vídeo carregava, comi algumas rosquinhas com muita pressa, como se fosse a última coisa que eu faria. Quando vi que já podia assistir, dei uma golada no cappuccino e respirei fundo. 

Aquela multidão me lembrou a primeira vez que vi um show do McFly, aquelas mesmas fãs histéricas. Depois a câmera se dirigiu para o palco, para aquelas quatro criaturas que faziam o meu mundo girar. Olhei atentamente para cada um. Eles estavam bem diferentes.
 Chay anunciava que aquela canção tinha um significado especial para um deles. E eu já sabia quem era. Logo a câmera foi direto para o rosto de Thur, fazendo as minhas pernas e mãos tremerem. Ele estava tão lindo. Ainda utilizava o mesmo corte de cabelo, mas agora parecia estar mais cheinho. Nada exorbitante, estava até impossivelmente mais lindo. Ele disse que esperava que as fãs gostassem daquela canção e Mica completou dizendo que esperava que elas nunca os abandonassem, arrancando gritos e risadas. 

(Coloque a canção para tocar) 

Harry deu as primeiras batucadas e a canção começou. Eu não sabia se continuava ali ou se morria de vez, já que meu coração logo pararia. O frio na barriga era surreal. Apenas tentei me concentrar, com os olhos vidrados em
 Thur, sabendo que aquela música era para mim. 

“She walked in and said she didn't wanna know
(Ela entrou e disse que não queria saber)

Anymore
(Mais)

Before i could ask why she was gone at the door
(Antes que eu pudesse perguntar o porquê, ela já tinha saído pela porta)

I didn't know, what i did wrong
(Eu não sei o que fiz de errado)

But now i just can't move on
(Mas agora eu não consigo seguir em frente)

Since she left me
(Desde que ela me deixou)

She told me
(Ela me disse:)
 

Don't worry
("não se preocupe")

You'll be ok you don't need me
("você vai ficar bem", "você não precisa de mim")

Believe me you'll be fine
("acredite, você vai ficar bem")

Then i knew what she meant
(Então eu soube o que ela queria dizer)

And it's not what she said
(E não era o que ela disse)

Now I can't believe that she's gone
(Agora eu não acredito que ela se foi)

Ele lembrava-se de cada palavra que eu disse. E o pior: eu lembrava-me de cada palavra, também.
 

I tried calling her up on her phone
(Eu tentei ligar pra ela...)
 

No one's there, 
(Ninguém estava lá)

I've left messages after the tone... 
(Deixei mensagens depois do bip...)
 

Really? 
("Sério?")
 

Yeah, man, loads
("É, cara, muitas")

I didn't know, what i did wrong
(Eu não sei, o que fiz de errado)

But now i just can't move on
(Mas agora não consigo seguir em frente)

Nem preciso dizer o que senti naquele momento. Não sabia que ele se sentia daquela forma.
 Thur se sentia realmente mal por não saber o que dizer, o que fazer. As lágrimas já percorriam o meu rosto quando o vídeo foi terminando. Não sei explicar o que estava acontecendo dentro de mim. Será que ele realmente gostava de mim da forma que eu gostava dele? Não que ele tenha falado algo do tipo na letra, mas ali eu ouvi um Thur que se importa. Um Thur que nem sempre acha que as coisas acontecem porque tem que acontecer. 

- Uau. – ouvi a voz de Carol atrás de mim e tentei enxugar as lágrimas antes de olhá-la, mas não tive muito resultado. – Eu também choraria. Foi pra você? – perguntou e eu me virei para olhá-la. Apenas assenti e nos abraçamos. – Volta,
 Lua. Lá é o seu lugar. – ela disse passando a mão em meus cabelos e parecia ter entrado na minha cabeça e adivinhado tudo o que eu estava pensando. Desvencilhei-me e já consegui enxugar o rosto. Ficamos paradas, em silêncio por algum tempo, até que eu decidi jogar o copo de cappuccino fora e guardar as rosquinhas que tinham sobrado. Eu gostava de Thur, era realmente apaixonada por ele e agora isso parecia dar tapas na minha cara. Se eu achava que ficando longe tudo passaria, estava enganada. Revê-lo mexeu tanto comigo que eu nem tinha forças para criar pensamentos contrários a voltar para Londres. Era só disso que eu sentia vontade. Voltar para Londres, encarar Thur e responder tudo o que ele perguntava a si. Voltei para a sala e sentei ao lado de Carol. Ela me olhou com uma expressão de dúvida. 
- Eu acho que você tem razão. – falei simplesmente e ela assentiu.
 
- Ele gosta de você. Você ainda tem alguma dúvida? – perguntou em um tom óbvio e eu sorri fraco. Sim, eu ainda tinha dúvidas, mas bem menos do que eu tive antes desse movimentado dia. Voltei para o computador e revi todas as fotos que
 Mica havia mandado para o meu e-mail há meses atrás. As fotos do Brasil. Cada vez eu tinha mais certeza de que era a hora de voltar. 

Eu estava pronta para voltar.
 

(COLOCAR PARA CARREGAR: http://www.youtube.com/watch?v=agVc6CqCAEo) 

Levantei cedo, com uma disposição que não tinha há tempos. Tomei café com Carol, praticamente sorrindo o tempo inteiro. Ela me olhava feliz, porém com certo receio. Eu sabia o que ela sentia, porque por diversas vezes conversamos sobre isso. Carol tinha medo de perdermos o contato novamente, então logo tratei de assegurar que dessa vez seria diferente: eu esperaria sua visita em Londres e daria a ela quantos números de celulares fossem precisos. Saí de casa e peguei o metrô, indo para a agência: aquela velha rotina. Eu tinha algum frio na barriga antes de falar com minha chefe. Apesar de saber que ela não é do tipo megera, tenho noção de que o que eu faria não é o certo. Eu a deixaria na mão, sem aviso prévio.
 
A conversa foi razoavelmente boa, Margot ficou um pouco triste, porque não sabia onde arranjar alguém de confiança. Agradeci todo o apoio e pedi mil desculpas. Ela disse que me mandaria o pagamento na próxima semana, para a minha conta bancária e que não descontaria nem um centavo por ter avisado em cima da hora. Senti-me realmente grata e a abracei tão apertado que acho que até a sufoquei. Depois de deixar a agência, fui direto para a casa dos Former, tinha que me despedir deles. Dona Mary e o senhor Edward lamentaram a minha ida para Londres, mas me desejaram felicidades e me obrigaram a também deixar todos os números que tinham direito, para que nos falássemos com frequência. Prometi que logo, logo voltaria a Bolton para revê-los. Respirei fundo e fui para a casa vizinha: os meus pais. Não vou negar que tudo estava mais fácil agora. A nossa comunicação tinha realmente fluído. Também não vou ser hipócrita e dizer que vivíamos de beijos e abraços e que minha mãe preparou a minha torta favorita e ofereceu um jantar, mas digamos que estávamos bem mais civilizados, com os pingos nos i’s. Os meus pais nunca iriam mudar, isso era algo que eu já nem esperava que acontecesse, mas me surpreendi com o que houve conosco nesses últimos meses.
 

- Eu estou indo. – falei baixo, olhando-os e recebendo olhares confusos.
 
- Mas você mal chegou. – meu pai disse totalmente desnorteado. Ele achava que eu havia dito que estava indo para a casa de Carol.
 
- Não, pai. – sorri fraco e baixei o olhar. Respirei fundo e voltei a encará-los. – Eu estou indo embora de Bolton. – ouvi a minha mãe prender a respiração e quase cocei os ouvidos para ver se eu estava ouvindo mesmo aquilo.
 
- Você vai pra onde,
 Lua? – minha mãe finalmente se manifestou. 
- Vou voltar pra Londres. – respondi simplesmente e meu pai tossiu.
 
- E seu emprego? – ele questionou e me deixou ainda mais surpresa, eu sentia algum tom de desespero em sua voz.
 
- Já está tudo resolvido. – falei convicta.
 
- E você decidiu assim? Do nada? – ela interrogou, acendendo um cigarro.
 
- Nem tão do nada assim... – comecei e eles me olhavam atentos. – Tem a ver com tudo o que estava acontecendo e me fez vir pra cá. Acho que as coisas estão se ajeitando e eu realmente preciso voltar.
 
- Você acha que é mesmo isso o que deve ser feito? – meu pai perguntou preocupado.
 
- Sim. Eu preciso voltar.
 
- Quando você vai? – minha mãe perguntou e em seguida tossiu, ela tem que aprender que está passando da hora de largar esse vício.
 
- Hoje mesmo. Vim me despedir de vocês, volto para o apartamento de Carol, termino de arrumar as minhas coisas e ela me leva pra estação.
 
- Parece que ela está mesmo decidida, Ellen. – papai comentou, derrotado.
 
- Bom, você já está bem crescidinha,
 Lua. Não há nada mais que possamos fazer. Se você acha que isso é o certo, então o faça. – ela aconselhou severa e meu pai assentiu, mas não parecia muito convencido. 
- É, mas de qualquer forma, agradeço a compreensão. – falei com um meio sorriso. – Agora eu tenho que ir. – respirei fundo e levantei, indo até a porta. Eu estava completamente perdida, não sabia se os abraçava ou se simplesmente dava um aceno breve quando estivesse saindo. Por mais que tudo já estivesse bem mais calmo, as barreiras afetivas ainda existiam. Estava tudo bem, mas nada muito próximo. Ouvi o levantar dos dois e depois seus passos me seguindo no piso de madeira. Quando cheguei à porta, me virei para encará-los novamente. Minha mãe continuava apegada ao seu cigarro e meu pai tinha as mãos nos bolsos, claramente confuso. – É isso, então. – quebrei o silêncio, um pouco constrangida.
 
- Você tem previsão para voltar?
 
- Não, mãe. Mas deixei uns telefones com os Former. – a vi revirar os olhos quando respondi. Por mais que eles tenham uma amizade de vizinhos, sinto que meus pais sempre se incomodaram com o fato de eu ter mais consideração por eles do que pelas pessoas que me trouxeram ao mundo. Porém, não me culpo, pelo contrário, a culpa é toda dos dois. – Até mais. – disse simples e curtamente, dando um sorriso fraco e respirando fundo. Virei-me, mas fui surpreendida por uma mão segurando o meu braço. Voltei a ficar frente a frente com eles e vi que aquela mão que me segurava era do meu pai. Ele tinha os olhos marejados e aquilo pareceu fazer uma reviravolta em todo o meu sistema nervoso. Abraçou-me com urgência e eu não sabia o que fazer com as minhas mãos. Não sabia se as acomodava em suas costas ou se simplesmente sentia aquele abraço que não recebo desde os 10 anos de idade, dia de meu aniversário.
 
- Eu sinto muito por tudo o que fiz. Espero que um dia receba o seu perdão e possamos ter uma relação normal. – ouvi meu pai dizer e sua respiração batia em meu ouvido. Desvencilhei-me com urgência e o olhei espantada. Ele estava um pouco tímido pelo que tinha acabado de dizer, mas franziu a testa, indicando firmeza e eu apenas assenti, com um meio sorriso tão tímido quanto a sua expressão. Minha mãe com certeza não tinha conseguido escutar uma palavra, porque nos olhava curiosa e eu sabia que a primeira coisa que faria quando eu desse as costas era perguntar ao meu pai palavra por palavra. Ela, por sua vez, apenas ficou me fitando, sem conseguir agir. Estendi a mão e ela a apertou.
 
- Até logo. – falei soltando sua mão e seguindo o meu caminho. Não me virei para me certificar, mas sabia que os dois continuavam ali, imóveis, me observando. O táxi já me esperava e quando bati a porta, senti algumas lágrimas escorrerem. Fui observando, pela última vez, as casas dali. Nem conseguia acreditar que tinha voltado e, muito menos, que estava indo embora novamente.
 

Cheguei ao apartamento de Carol e coloquei algumas últimas roupas em minha mala. Ela logo chegou de seu escritório e trouxe almoço. Eu a notava cabisbaixa, evitando qualquer assunto demasiado comigo. Sua expressão era de medo.
 

- Por que você mal está falando comigo? – perguntei brincando com o arroz em meu prato.
 
- Porque se eu engatar algum assunto com você, vou começar a chorar. – respondeu já com a voz trêmula e se levantou, ficando ao meu lado e me abraçando. Nem preciso dizer que já comecei a chorar também. Definitivamente, odeio clima de despedida.
 
- Carol... – falei em meio a fungadas e ouvi-a fazer o mesmo. Desvencilhamo-nos e ela me olhou atenta. – Eu prometo que agora tudo vai ser diferente. Não é como se eu estivesse fugindo. Agora você sabe pra onde eu vou.
 
- Eu sei. – assentiu limpando o rosto. – É que... Eu vou sentir sua falta. – continuou, sincera, voltando para o seu lugar. Levantei e peguei os nossos pratos já vazios, empilhando e levando-os para a cozinha.
 

Separei algum agasalho para levar em mãos e fechei a mala. Carol observava tudo e me lembrava constantemente dos documentos, para que eu não esquecesse. Demos uma última olhada no quarto, para ver se não tinha nada ficando para trás e saímos do cômodo. Fui até a mesinha de centro e anotei alguns telefones, assim como havia prometido a ela. Até o número dos meninos eu dei, mas a fiz prometer que não passaria para mais ninguém e só ligaria se os meus e o de
 Mel não atendessem. Carol pegou sua bolsa e saímos do apartamento. Colocamos a mala no porta-malas e entramos em seu carro. Liguei o som na BBC One e terminava de tocar aquela música que Mel e Chay berravam bêbados no dia em que ela ganhou seu Porsche. Ri internamente e observei o caminho que fazíamos. Já escurecia e o trânsito estava praticamente impossível. Carol e eu conversamos enquanto esperávamos a fila de carros se mover, o que demorava bastante. 

- Você vai enfrentar o
 Thur? – perguntou olhando o relógio. 
- Eu tenho que fazer isso. – respondi curtamente e um tanto quanto insegura.
 
- Como será que ele vai reagir a tudo isso?
 
- Também quero saber. – falei em um tom baixo e olhando para o nada.
 
- Acho que tudo vai ficar bem. Tem aquela música, você sabe. Aquilo não me pareceu ter nem um pingo de ‘eu odeio você’, e sim ‘você me deixou e eu me odeio por não entender isso’. – formulou e eu realmente parei para pensar. Talvez as coisas fossem melhores do que eu esperava.
 
- Eu espero que você esteja certa. – concluí e o carro finalmente saiu do lugar. Senti um frio na barriga ao perceber que estávamos a pouco tempo da estação de trem. Eu ainda tinha que comprar o bilhete, mas a ideia de que estava voltando para Londres parecia martelar no meu corpo inteiro e fazer uma salada com o meu estômago.
 

Depois de mais ou menos meia hora, conseguimos chegar à estação. Carol e eu fomos até o balcão e a moça informou que sairia um trem dali à uma hora. Comprei o bilhete e fui com Carol até a praça de alimentação. Já era noite, nós compramos alguns salgados e ficamos comendo enquanto conversávamos. Por um momento, parecia que eu tinha colocado a voz de Carol no mudo, pois enquanto falava, eu apenas observava as pessoas indo e vindo. Algumas chorando de emoção ao rever alguém querido e outras chorando por ver quem amavam ir embora. Essa era a primeira vez que eu saía de algum lugar deixando alguém realmente sentindo a minha falta e eu sabendo disso. Eu sei que
 Mel estava morrendo de saudade de mim, porque eu também já não estava me aguentando do tanto que queria estar com ela de novo, mas não tive coragem de me despedir, não pude ver a sua reação ao me ver partir. Até porque sei que se tivesse visto, jamais teria voltado para Bolton. 

O tempo passou voando, quando percebemos uma voz feminina já avisava a chegada do trem que eu pegaria para Londres. Olhei para Carol e ela olhou de volta, quase que automaticamente. Tinha algum drama em seu olhar, e eu acho que no meu também. Levantei e ela me seguiu. Não queria encará-la, eu estava fazendo o que deveria ser feito. Chegamos à entrada do transporte e um senhor recebeu o meu bilhete, em seguida pegou a minha mala. Carol estendeu uma revista para que eu pegasse. Ela disse que eu ficaria muito entediada.
 

- Eu trouxe meu Ipod. – falei sorrindo fraco. – Não precisa.
 
- Você vai ver como uma revistinha faz falta. – brincou. – Pega.
 
- Então tá, mas se a minha retina descolar, a culpa é sua! – zombei e ela deu língua.
 
-
 Lu, promete que vai se cuidar? – perguntou me olhando fixamente, era clara a sua preocupação. Assenti, mordendo o lábio inferior. 
- Eu prometo, mas você também tem que me prometer que, além de se cuidar, vai me visitar em Londres! – tentei amenizar aquele clima de despedida que realmente me torturava. Carol soltou uma risada abafada e eu vi um amontoado de lágrimas em seus olhos. – Não faz isso, amiga. – a abracei apertado e já senti várias lágrimas quentes escorrerem em meu rosto. Ficamos assim por muito tempo.
 
- Senhora, o trem partirá dentro de 10 minutos. – o senhor que havia pegado a bagagem informou, fazendo nos desvencilharmos, ambas enxugando suas lágrimas desconsertadamente.
 
- Acho que chegou a hora. – comentei dando de ombros e franzindo a testa. Ela assentiu.
 
- Se cuida,
 Lu. Pelo amor de Deus, me manda notícias e me espera que, assim que eu ficar de férias, vou até Londres! – falou batendo palminhas e também tentando amenizar o clima. 

(Coloque a canção para tocar) 

- Eu amo você, amiga. Muito, muito obrigada por tudo. Acho que nunca vou conseguir fazer por você a metade do que você fez por mim. – disse sincera e ela balançou a cabeça negativamente, sorrindo.
 
- O melhor que você faz por mim é ser feliz. Você estando bem, já vai ter me devolvido o que eu nem te cobrei. – falou com a voz trêmula, prendendo o choro. – Eu te amo demais! – se ela tentava prender o choro, agora a sua cabeça já estava enterrada na curva do meu pescoço e estava aos prantos.
 
- Obrigada, Carol. De coração. – agradeci afagando seus cabelos e quase soluçando.
 

O senhor alertou a partida do trem, agora faltavam apenas 5 minutos. Carol e eu demos um último abraço, peguei a revista e respirei fundo, olhando-a. Ela me voltou um olhar firme, como se dissesse para eu criar coragem e enfrentar a minha vida. Desviei o olhar e entrei no trem.
 
Viajar à noite é realmente assustador. Não há nada para ser observado pela janela. Li e reli a revista que Carol me deu, mas aquilo não parecia fazer o tempo passar. Minha playlist do Ipod já estava quase acabando e eu não via em que mais me distrair. O trem estava praticamente vazio, estava sozinha em minha cabine. Ajeitei-me em meu banco e apoiei o cotovelo na janela. Fechei os olhos, mas não havia nenhum sinal de sono. Comecei a pensar em tudo o que aconteceu na minha vida nesses últimos cinco meses. A vida em Bolton tinha sido uma verdadeira montanha russa. Havia momentos em que eu estava completamente por cima, encarando tudo positivamente... Já em outros, me encontrava de cabeça para baixo, sem saber o que fazer. Era realmente difícil levantar da cama e saber que não encontraria
 Mel na cozinha na hora de tomar café. Mas, olhando por outro lado, eu estava novamente com Carol, a minha amiga de infância que por muito tempo foi alguém que estava presente apenas em minhas memórias. Algumas vezes, tudo parecia estar completamente se encaixando, dando certo. Saía para a balada com Carol e alguns amigos, nos divertíamos muito, mas era estranho dormir sem saber como tudo estaria no dia seguinte, como eu me sentiria. 

Bolton era a minha cidade natal, foi onde tudo começou, eu devia me sentir completa lá. Mas não foi assim. Apesar de ter sido maravilhoso reencontrar quem eu mais sentia falta, vários pedaços do meu coração ficaram para trás, o vazio não podia ser preenchido, não havia substituição. E de todos os buracos que ficaram, o maior era o que havia sido feito por
 Thur. Eu não sabia o que fazer, por diversas vezes liguei em seu celular só para ouvir a sua voz. Um simples “alô” e aquilo podia me fazer dormir aquecida. Tínhamos contas para acertar, mas alguma coisa me dizia que as coisas poderiam ficar bem, algum dia, quem sabe. Meu coração estava mais tranquilo, era como se ele soubesse que eu estava voltando para casa, para a minha verdadeira casa. No fundo eu sempre soube que mesmo consertando problemas do passado, não conseguiria anular tudo o que aconteceu comigo em Londres. Lá era o meu lugar. Peguei-me rindo sozinha ao pensar que logo, logo ouviria os xingamentos de Mel, as trapalhadas de Chay, a modéstia elevada de Mica, o cavalheirismo de Harry e, bem, o simples som da voz de Thur perto de meus ouvidos. Eu não sabia como as coisas estariam entre Mel e os garotos, mas preferia pensar que tudo estava exatamente igual a cinco meses atrás. Quer dizer, eu esperava sinceramente que ela tivesse optado por um dos dois meninos ou que tivesse desistido de ambos. Mas a Mel é louca, ela sempre escolhe o caminho mais difícil e o mais perigoso. 

Agora tudo seria diferente, tudo mesmo. Eu não viveria 24 horas pensando em como podia ter agido no passado para conquistar meus pais, o que devia ou não ter feito. Tudo estava resolvido. Não havia mais nada pendente, nada que pudesse realmente tirar o meu sono. Na verdade sim, o reencontro com
 Thur, mas eu estava mais ansiosa do que com medo. Ter conseguido encarar meus pais, conversar abertamente com eles, ter recebido um abraço apertado do meu pai e um pedido de desculpas sincero realmente tinha me renovado. Se havia alguma covardia dentro de mim que me fizesse desistir de voltar para Londres, agora ela havia virado lenda. Mesmo que por diversas vezes eu não quisesse assumir nem para mim mesma, ter uma relação mal resolvida com os meus genitores era algo que me tornava completamente insegura e angustiada. Eu me sentia impotente. 

Abri os olhos bruscamente e percebi que já era dia. Ou tarde, para ser mais precisa. Peguei um espelho em minha bolsa e tentei melhorar meu aspecto, o que não deu muito certo, então optei pelos óculos escuros. Guardei o espelho novamente e peguei a revista que estava ao meu lado. Guardei o Ipod no bolso e levantei. Havia pouquíssimas pessoas no trem, então logo cheguei à saída. Esperei o cargueiro tirar todas as bagagens e logo vi a minha mala vermelha nada discreta. Puxei-a e fui chegando ao ponto de táxi da estação de trem de Londres. Londres. Eu ainda nem tinha parado para raciocinar que depois de tanto tempo longe, eu estava de volta, sem saber o que me aguardava. Senti várias borboletas nervosas em minha barriga e respirei fundo, em seguida fui até um dos veículos estacionados e o taxista colocou a minha mala no bagageiro. Entrei e fechei a porta, dando o endereço. À medida que íamos nos aproximando da rua em que ficava o prédio de
 Mel, sentia o coração ficar mais apertado e mais acelerado, ao mesmo tempo. Foi então que passamos por aquela calçada, a minha calçada de trabalho. E, se tudo desse certo, EX calçada de trabalho. Pedi para o taxista parar e ele ficou sem entender. Paguei pelo percurso e deixei o carro, com a minha mala sendo puxada. 

Olhei fixamente para aquele lugar. Por quanto tempo aquela tinha sido a minha realidade... Agradeci aos céus mentalmente por estar ali apenas de passagem. Senti-me uma cidadã comum, passando em seu caminho comum por aquela calçada. E foi assim que cheguei ao apartamento de
 Mel: andando e puxando uma mala. Eu realmente precisava disto, eu tinha que acreditar que estava em Londres de novo. Eu tinha que ME fazer acreditar nisso e tomar coragem para encarar tudo o que tivesse para acontecer. Depois de vários quarteirões, senti as pernas falharem ao ver novamente aquele prédio. Tudo estava exatamente igual por ali. É estranho quando você percebe que a única coisa que mudou foi você. Para mim, era como se tivesse ficado fora por anos. Vi um carro bastante conhecido pelos meus olhos, na verdade dois: o de Mel e o de Chay. Eles ainda deviam estar juntos! Peguei-me sorrindo como uma retardada e entrei no prédio. Carregar aquela mala pesada e subir escada não é lá uma tarefa muito fácil para uma mulher que não pratica esportes, mas consegui chegar no ‘376’ com a respiração descompassada, porém viva. Benzi-me e bati na porta. Eu mal podia esperar para ver Mel abrindo-a e abraçá-la. E ainda ver o Chay! 

- Si? – uma garota que eu nunca havia visto perguntou, ainda sem abrir a porta completamente.
 Melanie havia mudado de apartamento? 
- A
 Melanie está? – perguntei sentindo as mãos tremerem e a garota apenas assentiu. 
- Um momento. – pediu e fechou a porta novamente. Fiquei sem entender o seu comportamento. Ela não me parece ser inglesa, o sotaque é mais estranho do que o meu! Comecei a roer as unhas, de tanto nervoso, quando vi a porta se abrindo novamente. Era
 Mel. Se eu tivesse conseguido arrancar alguma unha, já a teria engolido. Senti um nó na garganta anormal se instalar e nem quis saber qual era a cara que ela estava fazendo, abracei-a subitamente. Um abraço longo e apertado. 
- Sua #$@!! Quanta falta você fez! – ela disse em meio a soluços, se desvencilhando e em uma tentativa falha de limpar as lágrimas. Ali eu senti a terrível covarde que eu havia sido de ter simplesmente sumido.
 
- Desculpa,
 Mel, mil vezes. – falei com a voz trêmula, também tentando enxugar as minhas lágrimas. Ela apenas assentiu, me abraçando novamente. Entramos no apartamento e eu deixei a minha mala próxima à porta. Foi então que Mel me soltou em um impulso e fez uma expressão estranha, como se procurasse alguma coisa. 
- Cadê a sua barriga? – quase cuspiu as palavras e eu bufei, triste, desviando o olhar para o chão.
 
- Eu perdi. – respondi em um tom baixo. Ainda não era fácil lembrar que eu havia perdido outro filho. Outro aborto espontâneo. Se a gravidez tivesse vingado, agora eu estaria com mais ou menos oito meses.
 Mel mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça negativamente, como se não conseguisse acreditar no que ouvia. – É o meu carma. 
- Eu nem sei o que dizer. –
 Mel disse tristemente, tentando escolher as palavras certas. 
- Quem tá aí? – ouvi uma voz vindo do quarto e já sabia quem era:
 Mica. 
- Vem ver. – ela berrou e eu quase me suicidei ali mesmo.
 Mica apareceu no corredor, sendo escoltado por Harry e Chay. Os três fizeram a famosa cara de paisagem ao me verem. Paisagem ou pavor, como se vissem um fantasma. 
- Eu... Não... – Harry começou.
 
- Consigo acreditar. –
 Chay concluiu, Harry assentiu e Mica apenas ficou boquiaberto. Mas isso não durou lá muito tempo. Sorri fraco, constrangida e os três logo correram para me abraçar. Mel, é claro, os xingou de lerdos e tudo mais. Abracei cada um da mesma forma que abracei Mel, quanta falta senti deles! 
- Ué, mas onde está... –
 Mica começou e eu o olhei curiosa. 
- Ela perdeu. –
 Mel respondeu antes que ele concluísse a pergunta. Olhei-a completamente confusa e Chay deu um soco nas costas de Mica, que revidou. Harry apenas balançou a cabeça negativamente. 
- Vocês são umas antas mesmo. – disse Harry, indignado.
 
- Todo mundo já sabia? – perguntei a todos, mas direcionando o olhar para
 Mel. Ela tinha uma expressão apavorada e apenas baixou o olhar. 
- Eu tive que contar... – respondeu quase sussurrando. – Você sumiu e eu fiquei muito desesperada. – continuou e eu apoiei a mão levemente sobre seu ombro. Enquanto o silêncio se instalou no ambiente, a garota que eu presumo ser estrangeira voltou para a sala, totalmente despreocupada e obviamente não entendendo nada do que se passava.
 
- Quem é ela? – perguntei olhando-a e os meninos soltaram risadinhas abafadas.
 
- Raquel, ela é intercambista. –
 Mel respondeu e chamou-a para se aproximar e nos cumprimentarmos. Bem que eu desconfiava! 
- Prazer, sou
 Lua, a amiga sumida da Mel. – brinquei e a garota riu. 
- Eu sei, o prazer é meu. – ela disse simpática.
 
- A Raquel tá ficando com o Haz! –
 Chay disse alto e risonho, levando um tapa no estômago, dado por Harry. 
- Como assim? Ele é o meu step! – brinquei mais uma vez e rimos, até a menina, mas as suas bochechas estavam incrivelmente rosadas.
 
- Porra, só fui descobrir hoje que eu era o seu step! Por que você não tornou as coisas mais claras antes? – Harry brincou e foi vaiado pelos garotos. Ali, naquele momento, eu tentei conseguir entender como não voltei antes. Ou melhor, como consegui ir embora e deixar tudo aquilo para trás. Os abracei mais uma vez e recebi um montinho, os agradeci mentalmente por não falarem mais sobre a gravidez, era tudo o que eu precisava esquecer naquele instante. Não havia sido fácil enfrentar mais um aborto espontâneo, tive que encontrar uma psicóloga praticamente todos os dias, por dois meses.
 

Aquela tarde foi tudo o que eu precisava, reencontrar os meus melhores amigos e a
 Mel, minha verdadeira família. Raquel, a garota estrangeira que abriu a porta, estava morando com Mel há quatro meses e estava realmente ficando com o Harry. Eles pareciam estar se entendendo, apesar de que muitas vezes eu não conseguia entender o que ela falava, seu inglês ainda era falho. Tomei banho e ficamos todos reunidos no tapete da sala, não havia nada diferente no apartamento, a não ser o fato de que o meu quarto agora pertencia à Raquel. Mel não pôde me contar nada, porque ninguém saía de perto, mas percebi que ela não estava mais com Chay. Os dois nem ao menos ficaram lado a lado, suas conversas eram exatamente do mesmo jeito de quando ainda eram simples amigos. Será que ele havia descoberto tudo? Não, não mesmo, até porque acho que as coisas não teriam ficado bem dessa forma que pareciam estar. Raquel estava sentada entre as pernas de Harry e os dois faziam brincadeirinhas um com o outro, um casal daqueles muito fofos. Espero que Harry saiba como levar esse relacionamento e que Raquel esteja preparada caso ele aja como Thur. Porque eu não estava preparada, me apaixonei e aconteceu o que aconteceu. As conversas ainda eram engraçadas, eu já estava com dor de barriga de tanto rir e parecia que não era o suficiente. Mica e Chay continuavam com as suas desavenças bobas, fazendo todos rirem. Mas algo havia mudado muito ali, fora o fato de Mel e Chay não estarem mais juntos. Ela e Mica mal brigavam, o que também não é bom sinal. Os meninos foram embora por volta das nove da noite e Raquel foi com eles, pois dormiria com Harry. Apesar de ter achado-a muito simpática, achei bom ficar a sós com Mel, eu tinha coisas particulares a falar e acho que ela também. 

Dito e feito.
 

- Você não tirou, certo? – perguntou apontando para a minha barriga. Eu sabia que ela estava com isso na cabeça, algo me dizia.
 
- Não. – respondi simplesmente, depois de respirar fundo.
 
- Desculpa amiga, eu não queria te ofender com essa pergunta, mas sei que você estava meio perturbada, então fiquei com medo de ter provocado o aborto. – ela disse me abraçando e eu a abracei.
- Tudo bem, eu entendo. – falei sincera e nos desvencilhamos. – Mas me conta... Você e o
 Chay não estão mais juntos? – perguntei e ela mordeu o lábio inferior, desligando a TV em seguida e ficando de frente para mim, de joelhos. Deviam ter acontecido MUITAS coisas, mesmo. 
- Acabou. Ele descobriu tudo. –
 Mel respondeu tropeçando nas palavras. Prendi a respiração e fiquei completamente sem saber o que dizer. 
- Mas então por que tudo parecia tão bem?
 
- Tudo está bem. Você sabe, nós não nos apaixonamos. – ela falou em um tom cordial, como se fosse muito normal.
 
- Ta,
 Mel, mas mesmo assim. Ele achou legal ser chifrado esse tempo todo com um dos melhores amigos? 
- Não, não. – balançou a cabeça negativamente e olhou para o canto da sala. – Foi meio complicado. Envolveu até o
 Thur, porque quando o Chay e o Mica discutiram, o imbecil do Mica disse que oThur já sabia também. – quando ela pronunciou o nome dele, tive mil sensações de uma vez. Foi a primeira vez no dia que eu ouvi aquele nome. Durante toda a tarde, todos evitaram pronunciar ‘Thur’. Ignorei aquilo e voltei para a realidade. 
- Nossa... Mas e você e o
 Mica? 
- Acabou, também. O
 Mica disse que seria sacanagem demais ficarmos juntos depois do que aconteceu e eu... – ela respirou fundo, desanimada. – Aceitei. 
- Na boa? – perguntei vendo que a resposta óbvia era negativa.
 
- Uhum. –
 Mel não sabe ser convincente quando mente. 
- Tô vendo. – ironizei e ela me deu um tapa.
 
- Quê? Você acha mesmo que eu ia querer ficar com um imbecil como o
 Mica? Nunca! Ele só é bom de pegada, só. – tentou convencer a si mesma e eu apenas ri, levando mais tapas. 
- Como o
 Thur está? – perguntei de uma vez, assustando Mel. 
- Não sei. – respondeu sincera, com um olhar triste.
 
- Você e os meninos não tão andando juntos?
 
- Eu e os meninos, menos o
 Thur. Ele não sai mais com eles quando eles saem comigo. – ela falou indignada e eu fiquei sem entender, acho que ela percebeu, pela minha cara. – É, minha cara, nem eu consigo entender. 
- O que eles dizem? Não falam dele? Quando foi a última vez que você o viu? – fiz uma pergunta atrás da outra e
 Mel começou a rir. 
- Meu Deus, eu achando que esse tempo fora te faria ficar dura e sem coração, mas não, parece que voltou ainda mais apaixonada pelo
 Aguiar. – agora quem levou tapa foi ela, muitos. Mas eu sei que, no fundo, tem razão. 
- Responde,
 Melanie! – ordenei prendendo o riso e ela bateu continência. 
- De vez em quando ele e o
 Mica saem... É mais eles dois... Vão encher a cara por aí. Tem altas fotos de paparazzis deles bêbados pelos pubs... – ela riu e eu sorri fraco, tentando imaginar o “novo”Thur. – A última vez que eu o vi foi na semana passada, em um pub, mas o encontrei lá por acaso, eu e a Raquel saímos e lá estava o idiota. 
- Você falou com ele? – a interrompi e
 Mel riu. 
- Cumprimentei de longe, ele mal respondeu. O
 Thur não é mais o mesmo, Lua. – por mais que eu tentasse, era difícil acreditar nas palavras de Mel. A culpa de tudo isso era minha? Foi então que parei para ligar os fatos. 
-
 Mel! – praticamente berrei e ela se assustou. 
- Ai sua filha do demônio, que susto! – comecei a rir quando ouvi isso, estava com muita saudade. – Que foi?
 
- Se os meninos sabem da minha gravidez, isso quer dizer que o
 Thur também soube! Ah meu Deus! – coloquei a mão na testa e Mel zombou. 
- Agora que você foi perceber isso?
 
-
 Mel, eu pedi pra você não contar! – falei irritada. 
- É, mas você sumiu de uma vez, fiquei muito preocupada. E me desculpe, mas a primeira coisa que fiz foi contar pro
 Chay. A gente precisava saber onde você estava. Eu pedi pro idiota não dizer proThur, mas quando eu vi, foi tarde demais, ele já sabia de tudo. 
- Meu Deus, eu sou um monstro. – coloquei as mãos na cabeça e
 Mel voltou a sentar ao meu lado, me abraçando. 
- Claro que não, eu também não sei o que eu faria no seu lugar, com tudo o que estava acontecendo.
 
- Não,
 Mel. – ergui a cabeça novamente. – Eu devia ter enfrentado tudo, sempre fujo dos meus problemas... 
- Tá, isso pode até ser verdade, mas ele não é ninguém pra julgar o que você fez. Nem eu. Só quem vive o que você viveu a vida inteira pode entender. –
 Mel me consolou como sempre faz. Deitei em seu colo e voltei a sentir aquela segurança que não sentia há quase seis meses. 

Comecei a contar para ela tudo o que aconteceu. Como eu já esperava,
 Mel sabia que eu estava em Bolton, porque a mãe de Thur contou para ele, que contou para os amigos, que contaram para ela. Perguntei por que ela não havia me procurado, e ela disse exatamente o que eu esperava que dissesse: queria me dar o tempo de perceber que era hora de voltar, sem pressionar. Mel me conhecia melhor do que ninguém, ela sabe que quando tenho as minhas crises, só consigo resolver sozinha, com a minha própria cadeia de pensamentos. Ela brincou que estava com ciúmes, porque só Carol tinha visto a minha barriga crescendo, mas depois disse que queria conhecê-la. Perguntou sobre os meus pais e eu falei que tudo estava bem melhor do que há quatro anos, contei das desculpas sinceras do meu pai e ela ficou realmente surpresa com o fato de eu não ter dito a ele que o perdoava, ter apenas assentido. Até eu me assusto comigo, com as minhas reações. Também falei que sabia da existência da canção, a “She Left Me”. 

- Preciso te mostrar uma coisa. –
 Mel disse tirando a minha cabeça do seu colo e eu sentei, ela então levantou e foi até o seu quarto buscar alguma coisa. Quando voltou, me entregou um papel e sentou ao meu lado novamente. 

“Eu estou ficando cansado de perguntar
Essa é a última vez
Então, eu fiz você feliz?
 
Porque você chorou um oceano
Quando há um milhão de linhas
Sobre o jeito que você sorri
Escritas em minha cabeça
Mas cada palavra é uma mentira

Eu nunca quis que tudo terminasse desse jeito
Mas você pode pegar o céu mais azul e transformá-lo em cinza
Eu jurei para você que eu faria meu melhor para mudar
Mas você disse que isso não importa
Eu estou olhando para você por outro ponto de vista
Eu não sei como diabos eu me apaixonei por você
Eu nunca desejei para ninguém se sentir do jeito que eu sinto

Isso é um sinal do céu?
 
Me mostrando a luz
Era para isso ter acontecido?
 
Eu estou melhor sem você
Então você pode ir embora esta noite
E não se atreva a voltar
E tentar acertar as coisas
Porque eu vou estar pronto para uma briga

E você disse que isso não importa”
 


- O que é isso? – perguntei depois de ler.
 
- É a letra de uma música que vai pro novo cd do McFly.
 
- Escrita pelo
 Thur? – a resposta era óbvia, Mel apenas assentiu. – Quem te deu isso? 
- O
 Chay, ele roubou da gaveta dele. – ela disse e eu soltei um riso abafado, tinha que ser coisa do Chay. Por mais que eu estivesse até rindo do que ela havia acabado de contar, formava-se um grande nó em minha garganta. Ali, naquele papel, estava a frase que eu mais esperei ouvir de Thur em todo esse tempo: “Eu me apaixonei por você”. Porém, não da forma que eu achava que iria ouvir, porque a frase completa não tinha um bom sentido. 

“Eu estou melhor sem você
Então você pode ir embora esta noite
E não se atreva a voltar
E tentar acertar as coisas
Porque eu vou estar pronto para uma briga”
 


Quando percebi,
 Mel já me abraçava. Eu estava em meio a lágrimas. Eu havia feito muito mal a ele, tinha certa noção disso. Se Thur realmente estava apaixonado, então eu estraguei tudo. E doía pensar que eu podia ter sido feliz. Podia não ser covarde e ter ido procurá-lo, dane-se o que ele acharia do fato de eu estar grávida. Da mesma forma que eu vivia imaginando que ele se esquivaria e diria que o filho podia não ser seu, Thur podia ter agido como homem e dizer o que estava sentindo. Fui uma idiota esse tempo inteiro. 

- Vou procurá-lo. – falei enxugando as lágrimas e entregando o papel para
 Mel. 
- Você tem certeza? – ela perguntou visivelmente preocupada. Apenas assenti e dei um beijo em seu rosto, levantando em seguida. Seria no dia seguinte, eu não tinha mais para onde correr.
 

Preciso enfrentar
 Thur, mesmo que ele esteja pronto apenas para uma briga. 


AGORA SÓ DEPOIS DE AMANHÃ GENTE!!!

11 comentários:

  1. eu nao vou aguentar! posta so mais um hoje por favor! a serio

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  2. mais um por favor por favor por favor posta ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

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  3. Aiiii talitinha eu não vou aguentar vc vai ser a culpada por eu acabar com as minhas unhas sokorro eu necessito de maiiiis <3

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  4. Ah não, assim não aguento! Posta mias um!

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  5. não gostei dela ter perdido o bb de novo ela tinha que ganhar pra ficar com o thur aaaaaaaaaaaaaa que chato ! mas de resto to amando a web só não gostei disso
    ass: Lizandra Pimentel

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  6. porq é que ela tinha que perder o bebé?? nao é justo

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  7. ela não podia ter perdido o bebé, tbm nao gostei

    Duda

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  8. Ai meu deus morrendo!! POsta mais por favor.. muito boa essa web!!
    (Virgínia)

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  9. posta ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
    por favor
    quero ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

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