7 de jan de 2013

{FIC} Falsa Lua-de-Mel


9º e 10º Capitulo de Falsa Lua-de-Mel
Coisas Estranhas!!!!  



— Oh, não se preocupe — disse Sophie, que vinha atrás dela. — Não é preciso se produzir para o jantar. Aqui não é um hotel, é a sua casa, pode se vestir como quiser.
— Não é minha exatamente — Lua observou secamente, olhando para Arthur. — Mas essa falta de código de vestuário vem bem a calhar, pois minha bagagem foi extraviada.
— Nossa, seu dia foi ruim mesmo — Sophie comentou, solidária. — Vou ver o que posso arrumar para você amanhã de manhã, está bem? — Ofereceu-se antes de deixá-los na sala.Lua ficou ali parada como se fosse sair correndo a qualquer instante, se tivesse para aonde ir. Decidiu que iria sentar o mais longe possível de Arthur. Prevendo isso, ele levantou-se e puxou a cadeira a seu lado para que ela se acomodasse. Ela hesitou quando ele tocou de leve a base de seu pescoço.

— Ainda está com medo ou com frio? — perguntou.
— Nenhum dos dois — retrucou ela em tom seco.
— Então por que... — Arthur não terminou a frase. Não sabia o motivo, mas quando a tocara pela primeira vez, algo muito estranho tinha acontecido: sentira uma espécie de fagulha, vinda de algum lugar dentro de si... e queria sentir de novo.
Lua segurou-o pelo pulso, e ele sentiu aquela faísca se transformando numa labareda.
— Arthur...
— Humm?

— Você vive me tocando — sussurrou ela. — E se continuar eu vou...
— Vai fazer o quê? — ele provocou, sabendo que já tinha registrado a suavidade daquela pele em seu cérebro.
— ...tomar uma atitude. — Lua mordeu os lábios, nervosa.
— Tome a atitude que quiser. — Sorriu, bem-humorado quando, ela tirou sua mão da dele com um gesto teatral, levantou-se e deu a volta na mesa. Marchava como se estivesse vestindo algo tirado de uma revista de moda. Só de vê-la gingando o corpo daquela forma, sentiu-se abalado. Devia estar em péssima forma por se excitar assim tão rápido.
Do outro lado da mesa, Lua puxou uma cadeira e sentou-se empertigada, lançando-lhe um olhar de
superioridade.

— Sabe o que eu acho? Acho que está louquinha por mim — sentenciou ele.
— Você deve estar delirando. Você... — interrompeu-se, pois naquele momento Sophie voltou à sala
com uma garrafa de vinho, seguida por Micael,que pousou uma grande bandeja na cabeceira da
mesa.
— Estou me sentindo tão culpada! — desculpou-se Sophie. Tinha agora um sorriso sem graça e suas
mãos se apertavam nervosamente. — As ordens de Chay são para fazer uma refeição gourmet, com
três pratos, e eu passei o dia todo fazendo um frango assado com polenta e queijo,acompanhado
de cogumelos

trufados, mas quando a energia caiu o forno desligou e eu não consegui terminar nada...
— Calma, não se preocupe! — tranqüilizou-a Arthur. — Não tenho frescuras para comida.
— Nem eu, muito obrigada por nos servir esta refeição. — Lua deu-lhe um sorriso sincero, um
daqueles que não tinha dado para Arthur.
— Oh, mas não é nem de longe o que deveria ser — desculpou-se Sophie mais uma vez, ainda
apertando as mãos. — Mas esperem até amanhã, vou mimar vocês até não agüentar mais — disse
enquanto pegava uma das bandejas já vazia.

Lua estava levando uma uva à boca, mas parou no meio do caminho. Colocou-a de volta no
prato e olhou para Arthur, esperando uma resposta.
Arthur sabia que ela esperava que ele confirmasse que na manhã seguinte não haveria dois
hóspedes, pois ele iria embora. Mas em vez disso ele simplesmente sorriu, pois não tinha a
menor intenção de sair dali.
Lua fulminou-o com o olhar e comentou:
— Um de nós vai partir amanhã. — E ao ver que Arthur negava com a cabeça, indagou: — Como assim, não?!

— As estradas estão bloqueadas e ninguém vai conseguir passar por elas até que essa nevasca acabe. Enquanto isso, estamos todos presos aqui — esclareceu ele calmamente.
— E onde vocês dormem quando isso acontece? — Lua perguntou, virando-se para Sophie e Micael.
— Ah, não se preocupe conosco — respondeu Sopie rapidamente. — Há acomodações para os empregados. Vocês nem irão perceber que estamos aqui. Inclinou-se para servir mais vinho para Arthur e Lua, que afastou a cadeira para dar mais espaço a ela. Ao puxar a cadeira ouviu um arranhado que nada tinha a ver com o móvel. Olhou para o chão e recolheu um pequeno caco de vidro.

— Algo deve ter se quebrado por aqui — comentou. Sopie olhou para o caco, mas não se moveu.
— Deve ter escapado na hora da limpeza, obrigado. — Micael adiantou-se e tirou a pequena lasca da mão de Lua. Virando-se para Sophie tomou-lhe a garrafa de vinho das mãos, depositando-a sobre a mesa e indicando com a cabeça que deveriam sair.

— Então estamos presos aqui — sentenciou Arthur. — É melhor aceitar e relaxar. O que acha? — Levantou a taça de vinho, como num brinde.
Lua o olhou por um instante, levantou sua taça também e tomou todo o conteúdo de uma só vez, antes de estender o braço para pegar a garrafa novamente.
— Ei, princesa, vá com calma! — advertiu-a. — Na altitude em que estamos esse vinho vai subir direto para a sua cabeça, e rápido. Beba água também, caso contrário, vai ficar desidratada.
Lua murmurou algo ininteligível.
— Só estou tentando ajudar para que não tenha uma ressaca amanhã. — Ele riu alto e levantou as mãos em defesa.

Ia começar a se servir dos queijos e pães quando o som de passos rápidos desviou sua atenção da mesa. Não eram passos apressados como os de Sophie, ou o som inconfundível de solados de borracha como os de Micael. Esses eram pesados, duros, e havia um clique-clique como se fosse alguém mancando.
— O que é isso? — sussurrou Lua, alarmada.

— Não tenho a menor idéia — murmurou Arthur. Assustada com os passos que chegavam cada vez mais perto, Lua saltou da cadeira onde estava, caminhando apressadamente em direção a Arthur, mas no instante em que contornava a mesa, o salto de sua bota escorregou no chão liso e ela perdeu o equilíbrio.
Arthur fez o que pôde para impedi-la de cair, e segurou-a em seus braços. Os cabelos sedosos caíram em seu rosto, e seu cérebro travou quando sentiu aquelas curvas se amoldando em seu corpo. Os seios dela se comprimiam de encontro a seu peito, as pernas entrelaçadas às dele.

Foi então que uma figura extremamente alta e magra preencheu o vão escuro da soleira da porta, sem revelar suas feições. A voz masculina num sotaque escocês fortíssimo soou no ambiente:
— Desculpe, mas algum dos dois viu uma lanterna por aí? — Ainda sentada no colo de Arthur, Lua gelou de medo.

A sombra deu um passo para dentro da sala. A luz das velas o recebeu, revelando um homem, de cerca de uns trinta anos, que vestia um tipo de cinto de utilidades do qual apareciam pendurados um martelo, uma chave-inglesa e várias outras ferramentas. Daí o barulho estranho.
Arthur olhou divertido para Lua, que permaneceu onde estava por mais um instante, antes de soltar a respiração e tentar se desvencilhar do colo dele. Propositadamente, ele usou de sua força masculina para segurá-la ali. Virou-se na direção do homem e respondeu:

— Sinto muito, mas não temos nenhuma lanterna aqui.
— Estou tentando consertar o maldito gerador. — O escocês ainda soltou um palavrão e cocou a cabeça, mostrando uma cabeleira ruiva. — A energia caiu por toda vizinhança. Vai levar dias para voltar e eu não consigo consertar a droga do gerador.
— Vários dias?! — Lua perguntou, apavorada.
— Sim, isso mesmo... Bem, vou indo. — E foi embora, murmurando outras imprecações.
— Se eu chamá-lo de volta... você se joga nos meus braços de novo? — Arthur sussurrou na orelha dela.
— Ora, você não presta!

— Acha mesmo? Por que há um minuto você não conseguia desgrudar de mim?
— Solte-me! — ordenou ela, mas Arthur estava gostando de tê-la assim tão perto. — Mandei me soltar!
— Não, até que diga: "Obrigada, por salvar minha vida, Arthur." — sugeriu ele, sorrindo e imitando sua voz.
— Você não salvou minha vida coisa nenhuma! — Lua levantou-se rapidamente, e puxou o abrigo do agasalho abaixo das coxas, para que nenhuma de suas curvas ficasse à mostra. — Vou dormir; boa noite! — Com o nariz empinado, marchou para fora da sala de jantar.

Lua manteve a cabeça erguida até o momento em que deixou a sala de jantar e se viu novamente no escuro.
Parada ali, sozinha, com aquela mansão enorme e escura à sua volta, sentiu um desagradável frio na barriga.
— Vamos lá, você é corajosa — murmurou. — E uma mulher corajosa não acredita em casas mal-assombradas ou em monstros...

Alguma coisa rangeu na casa, e ela deu um pulo, enquanto disparava numa corrida. Só parou quando se viu dentro da sala e fechou as portas, recostando-se nelas, ofegante pela corrida.
A sua frente, o fogo crepitava. Os sofás de couro eram perfeitos para se aconchegar numa noite como aquela. Afastou-se das portas e caminhou em direção a eles, mas no meio do caminho as portas se abriram novamente e, com um grito de susto, ela caiu no sofá.

— Calma, sou eu! — exclamou Sophie. — Desculpe. Você está bem?
— Sim claro — mentiu. Ergueu a cabeça ao ouvir uma outra voz feminina vinda da porta.
— Oh, aí está você! Lua, esta é Mel, nossa camareira.
Mel era alta e exótica, o tipo de mulher que as mulheres invejam e os homens cobiçam. Vestia calças pretas justíssimas e uma blusa branca acetinada, colada ao corpo, com o primeiro e o último botão abertos, o que evidenciava uma cintura estreita e seios fartos. Sua postura era ainda mais empinada devido aos sapatos de salto agulha altíssimo.

— Seja bem-vinda — disse ela. Era ao mesmo tempo incrivelmente bonita e intimidante. Tinha feições latinas e seus cabelos escuros estavam presos num coque alto, com algumas mechas soltas. — Já tenho um quarto aquecido para você — informou com voz suave.
Lua se sentiu desajeitada com o agasalho de Arthur e tentou ajeitá-lo para, pelo menos, mostrar que tinha um corpo ali embaixo.

— Já temos eletricidade? — perguntou, ansiosa.
— Infelizmente não — respondeu ela. — Mas acendi a lareira para você num dos quartos lá em cima.
— Que bom! Isso significa que de frio, ninguém vai morrer — comentou Sophie com um sorriso, que se esvaneceu ao olhar para a camareira. — O que foi? Isso não é uma boa notícia?
Parada ali, sozinha, com aquela mansão enorme e escura à sua volta, sentiu um desagradável frio na barriga.
— Vamos lá, você é corajosa — murmurou. — E uma mulher corajosa não acredita em casas mal-assombradas ou em monstros...

Alguma coisa rangeu na casa, e ela deu um pulo, enquanto disparava numa corrida. Só parou quando se viu dentro da sala e fechou as portas, recostando-se nelas, ofegante pela corrida.
A sua frente, o fogo crepitava. Os sofás de couro eram perfeitos para se aconchegar numa noite como aquela. Afastou-se das portas e caminhou em direção a eles, mas no meio do caminho as portas se abriram novamente e, com um grito de susto, ela caiu no sofá.

— Calma, sou eu! — exclamou Sophie. — Desculpe. Você está bem?
— Sim claro — mentiu. Ergueu a cabeça ao ouvir uma outra voz feminina vinda da porta.
— Oh, aí está você! Lua, esta é Mel, nossa camareira.
Mel era alta e exótica, o tipo de mulher que as mulheres invejam e os homens cobiçam. Vestia calças pretas justíssimas e uma blusa branca acetinada, colada ao corpo, com o primeiro e o último botão abertos, o que evidenciava uma cintura estreita e seios fartos. Sua postura era ainda mais empinada devido aos sapatos de salto agulha altíssimo.

— Seja bem-vinda — disse ela. Era ao mesmo tempo incrivelmente bonita e intimidante. Tinha feições latinas e seus cabelos escuros estavam presos num coque alto, com algumas mechas soltas. — Já tenho um quarto aquecido para você — informou com voz suave.
Lua se sentiu desajeitada com o agasalho de Arthur e tentou ajeitá-lo para, pelo menos, mostrar que tinha um corpo ali embaixo.

— Já temos eletricidade? — perguntou, ansiosa.
— Infelizmente não — respondeu ela. — Mas acendi a lareira para você num dos quartos lá em cima.
— Que bom! Isso significa que de frio, ninguém vai morrer — comentou Sophie com um sorriso, que se esvaneceu ao olhar para a camareira. — O que foi? Isso não é uma boa notícia?
Mel não respondeu de imediato, mas a expressão em seu rosto fez com que Sophie se sentisse punida como se tivesse feito algum comentário inapropriado. Olhou em torno da sala, parando nas roupas de Lua caídas no chão. Recolheu-as com as pontas dos dedos, como se estivessem imundas em vez de molhadas.
— Sim, que neve, não? — desconversou — Estas roupas são suas? Vou mandar lavá-las.
— Oh, não! Não é necessário — disse Lua.

— Faz parte do pacote. — A expressão no rosto de Mel permanecia neutra, porém imponente.
Sophie parecia desesperada para mudar de assunto.
— Ainda não consigo acreditar como Chay se confundiu e fez a mesma reserva para duas pessoas na mesma semana — comentou, enquanto jogava mais lenha na lareira. — Ele nunca comete esse tipo de engano.

Mel fez um comentário maldoso sobre o tal de Chay e, quando Sopie ergueu a cabeça, espantada, as duas se olharam significativamente.
— Bem, eu preciso voltar para a cozinha — anunciou Sophie por fim.
— Tem razão — concordou Mel, e moveu-se para a lareira. — Sophie, meu bem, não se coloca somente um pedaço de madeira maciça no fogo, é preciso colocar alguns gravetos menores junto com ela, caso contrário o fogo morre.
Sopie ignorou-a e juntou-se a Lua ao lado do sofá.
— Não deixe que ela a intimide quando eu sair, está bem? — sussurrou, ambas assistindo Mel lidar com a lareira como se fosse uma profissional.
— Só a presença dela já é intimidante.
— Pode ser, mas é só fachada.

Mel se afastou da lareira e dirigiu-se para a porta, pegando no caminho as roupas e a frasqueira de Lua.
— Acompanhe-me por gentileza, srta. Blano — pediu ela, de volta ao modo formal de antes.
— Pode me chamar de... Lua. — Tentou corrigi-la, mas ela já tinha desaparecido.
A menos que quisesse se desfazer de sua frasqueira e de tudo o que havia dentro dela, não tinha escolha a não ser seguir Mel pelo corredor escuro. Ela ia à sua frente, caminhando com firmeza, os saltos de seus sapatos martelando o chão enquanto empunhava a lanterna para iluminar o caminho. De repente chegaram a uma bifurcação no corredor principal.

— Deste lado temos o cinema, com centenas de títulos à sua escolha — anunciou tal e qual um guia turístico. — E no final deste outro corredor temos a academia de ginástica completa, com piscina coberta e sauna. E se quiser, poderá agendar uma massagem com Sophie, ela é uma massagista excelente.
Subiram as escadas, desta vez sem a ajuda das luzes suaves vindas das arandelas nos corredores. A luz da lanterna indicava o caminho, projetando sombras estranhas, e deixando Lua ainda mais tensa. Ao chegarem ao topo, Mel abriu a primeira porta à direita.

A luz da lanterna revelava o pé-direito alto, e o chão de madeira decorado com vários tapetes. Havia uma lareira de pedra já acesa, com a madeira crepitando de maneira aconchegante. A cama de quatro colunas em madeira natural combinava harmonicamente com a cômoda e o espelho oval acima dela. Mel dirigiu-se à cômoda, sobre a qual havia uma bandeja com inúmeras velas acesas. Levou algumas para os peitoris de duas das amplas janelas, que não mostravam nada a não ser o céu negro do lado de fora.

— Coloquei um edredom extra — disse ela, apontando para a coberta meticulosamente dobrada aos pés da cama. — Há também um banheiro que é partilhado com o quarto do outro lado, mas como não há ninguém nele, ele é só seu.
— Ah, obrigada. Está perfeito.
— Neste caso, vou me retirar. Preciso verificar se o outro hóspede está bem acomodado. Tenha uma boa noite.
Assim que Mel fechou a porta, Lua correu e trancou-a com a chave. Ficou parada, sozinha, olhando à sua volta. Ocorreu-lhe, no entanto, que poderia ter sido pior: se o tal Chay não tivesse se atrapalhado e tivesse feito a reserva de forma correta, Arthur não estaria ali e aí sim, estaria mais sozinha do que nunca. Sentiu-se feliz por não estar, mas jamais admitiria isso em voz alta, nem sob tortura.

Aventurou-se no banheiro, onde escovou os dentes e passou hidratante no rosto. Sentia-se um tanto tola fazendo isso naquela casa mal-assombrada, mas essa rotina a acalmava.
Ao voltar para o quarto, olhou insegura para as velas. Havia cinco delas, três quase chegando ao fim. Será que as outras duas durariam até a manhã seguinte?

E se acabassem antes o que faria? Tinha certeza de uma coisa: da próxima vez que viajasse, não iria levar nenhuma lingerie sexy em sua frasqueira, e sim uma lanterna, chocolate e bebidas alcoólicas. Muitas!

Continua..

Creditos: UR

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